Mostrando postagens com marcador texto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador texto. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 13 de julho de 2011

13 de Julho...

... não é novidade para todos o que comemoramos hoje...
Mas ai me surge uma dúvida...comemorar o que mesmo?
Afinal de contas eu não sei onde está o Rock, alguém sabe me dizer?
Ando muito decepcionada com a cena atual (nem preciso comentar sobre o nosso Brasil né), para ser sincera, a última vez que ouvi
um cd e soltei um "caralhoooooooooooooooooooooooo" "muito bom"...foi quando ganhei o álbum do Kings of Leon e isso faz dois anos! (acho que faz mais tempo!)
Desse dia em diante, nunca mais consegui ouvir um rock de verdade! (com exceção claro dos albuns antigos, mas eles não contam)...
Esse continua derretendo meu coração até hoje...

Será tão dificil assim fazer músicas como o Renato fazia??? quem sabe o Cazuza???
Será que ninguém sabe protestar como o Raul sempre fez???
Cada dia que passa tenho mais a certeza de que nasci na época errada...
Faria qualquer coisa para ver a Janis cantar...ou assistir o Elvis encantar as meninas...
Sei lá sabe... fazer música!!! (porque o barulho que esses coloridos fazem é quase um insulto!)
Eu não faço porra nenhuma quando o assunto é esse...porque sou uma mera admiradora...(e assumo não ter talento para isso) mas sei que existem por ai bons caras (e meninas também) que ainda
podem fazer com que eu (e milhaes de pessoas que tem a mesma opinião) mudem de idéia e voltem a ter aquela sensação boa de dizer "o rock ainda está vivo!"
Não precisa de qualquer legenda...

Tenho a esperança de voltar aqui no blog em 2012 e dizer com letras garrafais que tudo mudou pra melhor!  Mas enquanto isso não acontece...estarei ao lado da minha vitrolinha ouvindo Chuck Berry...

domingo, 10 de julho de 2011

Tudo passa...

Certo dia, um sacerdote percebeu a seguinte frase em um pergaminho pendurado aos pés da cama de seu mestre:

“Isso também passa”.

Com a curiosidade de cada ser humano, resolveu perguntar:”Mestre, o que significa essa frase?”.

E o mestre, sem titubear, lhe responde: “A vida nos prega muitas peças, que podem ser boas ou não.Mas tudo significa aprendizado”.
Recebi essa mensagem de um anjo protetor num desses momentos de dor em que quase perdi a fé.

Ela é para que, todos os dias, antes de me levantar e de me deitar, possa ler e refletir; para que, quando tiver um problema, antes de me lembrar, eu possa lembrar que:

“Isso também passa”.

E, para quando estiver exaltado de alegria, que tenha moderação e possa encontrar o equilíbrio, pois

“Isso também passa”.

Tudo na vida é passageiro assim como a própria vida, tanto as tristezas como também as alegrias. Praticar a paciência e perseverar no bem e nas boa ações, ter simplicidade, fé e pensamentos positivos, mesmo perante as mais difíceis situações, é saber viver e fazer da nossa vida constante aprendizado.

É ter a consciência de que todas as pessoas erram, de que o ser humano ainda é um ser imperfeito em busca da perfeição e, por isso, até saber que, se muitas vezes nos decepcionamos com pessoas, é porque esperamos mais do que elas estão preparadas para dar, dentro de seu contexto e grau de compreensão.
Desse modo, meu amigo, toda vez que olho para essa frase, meu coração se aquieta e a paz me invade, pois sei que

“Isso também passa”.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A doença no seu corpo

Texto MUITO interessante que recebi de um amigo...queria compartilhar com vocês! Enjoy!

Aviso afixado na porta de um consultório médico:



O resfriado escorre quando o corpo não chora.



A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.



O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.



O diabetes invade quando ...a solidão dói.



O corpo engorda quando a insatisfação aperta.



A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam.



O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.



A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.



As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.



O peito aperta quando o orgulho escraviza.



O coração infarta quando chega a ingratidão.



A pressão sobe quando o medo aprisiona.



As neuroses paralisam quando a"criança interna" tiraniza.



A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.



P.S.: Normalmente, os sintomas aparecem 3 dias após o "acontecido".



Descubra o que te prejudicou e coloque 'pra fora', em conversa com amigo(s) ou com um profissional - Psicólogo, Assistente Social ou Psiquiatra - e então, a partir daí, você pode vir a curar-se !!!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Paciência...

  
Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e supermercados... Muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia.
Por muito pouco a madame que parece uma "lady" solta palavrões e berros que lembram as antigas "trabalhadoras do cais"... E o bem comportado executivo?
O "cavalheiro" se transforma numa "besta selvagem" no trânsito que ele mesmo ajuda a tumultuar...
Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido uma "mala sem alça". Aquela velha amiga uma "alça sem mala", o emprego uma tortura, a escola uma chatice.
O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o passeio virou novela.
Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele pela internet estava demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a cabeça, inconformado...
Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto maravilhoso e ela deletou sem sequer ler o título, dizendo que era longo demais.
Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem tempo para Deus.
A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintética dos calmantes está cada vez mais em alta.
Pergunte para alguém, que você saiba que é "ansioso demais" onde ele quer  chegar?
Qual é a finalidade de sua vida?
Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta.
E você?
Onde você quer chegar?
Está correndo tanto para quê?
Por quem?
Seu coração vai agüentar?
Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar?
A empresa que você trabalha vai acabar?
As pessoas que você ama vão parar?
Será que você conseguiu ler até aqui?
Respire... Acalme-se...
O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência...

NÃO SOMOS SERES HUMANOS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL.
SOMOS SERES ESPIRITUAIS PASSANDO POR UMA EXPERIÊNCIA HUMANA.
 
Arnaldo Jabor  

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Relacionamentos

Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:

- ‘Ah, terminei o namoro… ‘
- ‘Nossa, quanto tempo?’
- ‘Cinco anos… Mas não deu certo… Acabou’
- É não deu…?

Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?

E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.

Tudo nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que
é uma delícia.

E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona…
Acho que o beijo é importante… E se o beijo bate… Se joga… Se não bate… Mais um Martini, por favor… E vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não lute, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa ta com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.

O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família?
O legal é alguém que está com você por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por dó também.
Ou por medo da solidão.

Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói.

Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.
Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo.
E nem sempre as coisas saem como você quer…
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.

E nem todo sexo bom é para namorar.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar.
Enfim… Quem disse que ser adulto é fácil?

Arnaldo Jabor

domingo, 8 de maio de 2011

Agora entendi tudo!

Graças a um dos meus escritores preferidos, entendi porque a maioria dos homens estão virando gays. Não é pra qualquer um cuidar direito de uma mulher. Leia você mesmo o texto e entenda o que quero dizer.


Tenho apenas um exemplar em casa, que mantenho com muito zelo e dedicação, mas na verdade acredito que é ela quem me mantém.

Mulher vive de carinho. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem sim, e se ela não receber de você vai pegar de outro.
Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã as mantém viçosas e perfumadas durante todo o dia. Flores também fazem parte de seu cardápio – mulher que não recebe flores murcha rapidamente e adquire traços masculinos como rispidez e brutalidade.
Respeite a natureza. Você não suporta TPM? Case-se com um homem. Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia.
Não faça sombra sobre ela. Se você quiser ser um grande homem tenha uma mulher ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ela brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.
Aceite: mulheres também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar.
O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar os próprios. Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará salvando a si mesmo.
É, meu amigo, se você acha que mulher é caro demais, vire gay. Só tem mulher quem pode!
Luiz Fernando Veríssimo.

Aproveito o post pra desejar à todas as mamães um ótimo dia! (eu ainda vou comemorar esse dia...um dia!), embora tenha a certeza que todos os dias devem ser delas! =D

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Texto do dia

Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto - é para lá que eu vou. À ponta do lápis o traço. Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia - é para lá que eu vou. Na ponta dos pés o salto. Parece a história de alguém que foi e não voltou - é para lá que eu vou. Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? Eu vos espero. E para lá que eu vou. Na ponta da palavra está a palavra. (...) À beira de eu estou mim. É para mim que eu vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? Ver o que existe. Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois - depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio. (...) Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. (...) À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo. Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou. E me transmuto. (...) Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós.

Clarice Lispector

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Quero!

Quero sim me entregar...

Viver outra história e me permitir!

Sentir na pele aquela sensação gostosa...

O arrepio na nuca...o beijo demorado...

O medo me prende...mas a vontade é maior!

Sinto que sou mais viva, quando amo e sim, tenho esse direito!

Por isso...definitivamente...quero sim!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O Sucesso consiste em não fazer Inimigos

Nas relações humanas no trabalho, existem apenas 3 regras:

Regra número 1:

Colegas passam, mas inimigos são para sempre. A chance de uma pessoa se lembrar de um favor que você fez a ela vai diminuindo à taxa de 20% ao ano. Cinco anos depois, o favor será esquecido. Não adianta mais cobrar. Mas a chance de alguém se lembrar de uma desfeita se mantém estável, não importa quanto tempo passe. Exemplo: Se você estendeu a mão para cumprimentar alguém em 1999 e a pessoa ignorou sua mão estendida, você ainda se lembra disso em 2009.

Regra número 2:

A importância de um favor diminui com o tempo, enquanto a importância de uma desfeita aumenta . Favor é como um investimento de curto prazo. Desfeita é como um empréstimo de longo prazo. Um dia, ele será cobrado , e com juros.

Regra número 3:

Um colega não é um amigo. Colega é aquela pessoa que, durante algum tempo, parece um amigo. Muitas vezes, até parece o melhor amigo. Mas isso só dura até um dos dois mudar de emprego. Amigo é aquela pessoa que liga para perguntar se você está precisando de alguma coisa. Ex-colega que parecia amigo é aquela pessoa que você liga para pedir alguma coisa, e ela manda dizer que no momento não pode atender. 


Durante sua carreira, uma pessoa normal terá a impressão de que fez um milhão de amigos e apenas meia dúzia de inimigos. Estatisticamente, isso parece ótimo. Mas não é! A 'Lei da Perversidade Profissional' diz que, no futuro, quando você precisar de ajuda, é provável que quem mais possa ajudá-lo é exatamente um daqueles poucos inimigos.

Muito cuidado ao tentar prejudicar um colega de trabalho; Amanhã ou depois você pode depender dele para alguma coisa!

Portanto, profissionalmente falando, e "pensando a longo prazo , o sucesso consiste, principalmente, em evitar fazer inimigos . Porque, por uma infeliz coincidência biológica, os poucos inimigos são exatamente aqueles que têm "boa memória.

"Na natureza não existem recompensas nem castigos. Existem consequências ."

Max Gehringer

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Apesar dos Pesares (1887/1988)

Vou gostar de você
Como gosto do mar
Mergulhar em você
Me perder
Me encontrar.

Ai, como é linda essa vida
Apesar da miséria
Apesar dessa fome
Aquele beijo com gosto de coca
O meu coração bate e toca
Vale a pena viver.

Raul Seixas

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Tomara

Tomara

Que você volte depressa
Que você não se despeça

Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz

E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz


E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...

Vinícius de Moraes

terça-feira, 5 de abril de 2011

Poesia

A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.


A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo,

o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.


O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se,

o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre.

Vinícius de Moraes

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Falou tudo Raul!


"Eu já fui de vários jeitos

Jeitos que não eram eu

Demorei a encontrar meu caminho

Trilhando caminhos que não eram o meu

Mas ao longo dos caminhos

Encontrei muitas flores

E também muitos espinhos

Descobri vários amores

Enfrentei vários temores

Pelas beiras dos caminhos

E eles foram se fundindo

Todos em uma coisa só

Os caminhos, os amores

E os temores

Tudo o que encontrei

Tentando ser o que não era eu

Transformou-me no que eu sou

E formou o caminho

Que finalmente era o meu..."
 
Raul Seixas

domingo, 3 de abril de 2011

Pra fechar o fim de semana

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos,na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.


A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 2 de abril de 2011

Silêncio

É tão vasto o silêncio da noite na montanha. É tão despovoado. Tenta-se em vão trabalhar para não ouvi-lo, pensar depressa para disfarçá-lo. Ou inventar um programa, frágil ponto que mal nos liga ao subitamente improvável dia de amanhã. Como ultrapassar essa paz que nos espreita. Silêncio tão grande que o desespero tem pudor. Montanhas tão altas que o desespero tem pudor. Os ouvidos se afiam, a cabeça se inclina, o corpo todo escuta: nenhum rumor. Nenhum galo. Como estar ao alcance dessa profunda meditação do silêncio. Desse silêncio sem lembranças de palavras. Se és morte, como te alcançar.


É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel mas insone; e sem fantasmas. É terrível - sem nenhum fantasma. Inútil querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento. Vento é ira, ira é a vida. Ou neve. Que é muda mas deixa rastro - tudo embranquece, as crianças riem, os passos rangem e marcam. Há uma continuidade que é a vida. Mas este silêncio não deixa provas. Não se pode falar do silêncio como se fala da neve. Não se pode dizer a ninguém como se diria da neve: sentiu o silêncio desta noite? Quem ouviu não diz.

A noite desce com suas pequenas alegrias de quem acende lâmpadas com o cansaço que tanto justifica o dia. As crianças de Berna adormecem, fecham-se as últimas portas. As ruas brilham nas pedras do chão e brilham já vazias. E afinal apagam-se as luzes as mais distantes.

Mas este primeiro silêncio ainda não é o silêncio. Que se espere, pois as folhas das árvores ainda se ajeitarão melhor, algum passo tardio talvez se ouça com esperança pelas escadas.

Mas há um momento em que do corpo descansado se ergue o espírito atento, e da terra a lua alta. Então ele, o silêncio, aparece.

O coração bate ao reconhecê-lo.

Pode-se depressa pensar no dia que passou. Ou nos amigos que passaram e para sempre se perderam. Mas é inútil esquivar-se: há o silêncio. Mesmo o sofrimento pior, o da amizade perdida, é apenas fuga. Pois se no começo o silêncio parece aguardar uma resposta - como ardemos por ser chamados a responder - cedo se descobre que de ti ele nada exige, talvez apenas o teu silêncio. Quantas horas se perdem na escuridão supondo que o silêncio te julga - como esperamos em vão por ser julgados pelo Deus. Surgem as justificações, trágicas justificações forjadas, humildes desculpas até a indignidade. Tão suave é para o ser humano enfim mostrar sua indignidade e ser perdoado com a justificativa de que se é um ser humano humilhado de nascença.

Até que se descobre - nem a sua indignidade ele quer. Ele é o silêncio.

Pode-se tentar enganá-lo também. Deixa-se como por acaso o livro de cabeceira cair no chão. Mas, horror - o livro cai dentro do silêncio e se perde na muda e parada voragem deste. E se um pássaro enlouquecido cantasse? Esperança inútil. O canto apenas atravessaria como uma leve flauta o silêncio.

Então, se há coragem, não se luta mais. Entra-se nele, vai-se com ele, nós os únicos fantasmas de uma noite em Berna. Que se entre. Que não se espere o resto da escuridão diante dele, só ele próprio. Será como se estivéssemos num navio tão descomunalmente enorme que ignorássemos estar num navio. E este singrasse tão largamente que ignorássemos estar indo. Mais do que isso um homem não pode. Viver na orla da morte e das estrelas é vibração mais tensa do que as veias podem suportar. Não há sequer um filho de astro e de mulher como intermediário piedoso. O coração tem que se apresentar diante do nada sozinho e sozinho bater alto nas trevas. Só se sente nos ouvidos o próprio coração. Quando este se apresenta todo nu, nem é comunicação, é submissão. Pois nós não fomos feitos senão para o pequeno silêncio.

Se não há coragem, que não se entre. Que se espere o resto da escuridão diante do silêncio, só os pés molhados pela espuma de algo que se espraia de dentro de nós. Que se espere. Um insolúvel pelo outro. Um ao lado do outro, duas coisas que não se vêem na escuridão. Que se espere. Não o fim do silêncio mas o auxílio bendito de um terceiro elemento, a luz da aurora.

Depois nunca mais se esquece. Inútil até fugir para outra cidade. Pois quando menos se espera pode-se reconhecê-lo - de repente. Ao atravessar a rua no meio das buzinas dos carros. Entre uma gargalhada fantasmagórica e outra. Depois de uma palavra dita. Às vezes no próprio coração da palavra. Os ouvidos se assombram, o olhar se esgazeia - ei-lo. E dessa vez ele é fantasma.



Clarice Lispector- "Onde estivestes de noite?"

7ª Ed. - Ed. Francisco Alves - Rio de Janeiro - 1994

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ora direis ouvir estrelas

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto ...

E conversamos toda a noite, enquanto

A via láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas."

quinta-feira, 31 de março de 2011

Ilha


Ilha não é só um pedaço de terra cercado por água por tudo quanto é lado.


Ilha é qualquer coisa que se desprendeu de qualquer continente.

Por exemplo: um garoto tímido abandonado pelos amigos no recreio, é uma ilha.

Um velho que esperou a visita dos netos no Natal e não apareceu ninguém, é uma ilha.

Até um cara assoviando leve, bem humorado, numa rua cheia de trânsito e stress, é uma ilha.

Tudo na gente que não morreu, cercado por tudo o que mataram, é uma ilha.

Toda ilha é verde.

Uma folha caindo é ilha cercada de vento por tudo quanto é lado.

Até a lágrima é ilha, deslizando no oceano da cara.



Oswaldo Montenegro

quarta-feira, 30 de março de 2011

Definições

Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.

Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta

um capítulo. Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.

Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair

de seu pensamento.

Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.

Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.

Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.

Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que

pode ser que nem exista.

Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.

Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer

que seja.

Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.

Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.

Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.

Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.

Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.

Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.

Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente mas, geralmente,

não podia.

Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.

Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume

o mandato.

Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.

Paixão é quando apesar da palavra ¨perigo¨ o desejo chega e entra.

Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.

Não... Amor é um exagero... também não.

Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?



Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tenha explicação,

Esse negócio de amor, não sei explicar.



Mário Prata

segunda-feira, 28 de março de 2011

Atire a primeira flor

Quando tudo parecer caminhar errado, seja você a tentar o primeiro passo certo;



Se tudo parecer escuro, se nada puder ser visto, acenda você a primeira luz,

traga para a treva, você primeiro, a pequena lâmpada;



Quando todos estiverem chorando, tente você o primeiro sorriso;

talvez não na forma de lábios sorridentes, mas na de um coração que

compreenda, de braços que confortem;



Se a vida inteira for um imenso não, não pare você na busca do primeiro

sim, ao qual tudo de positivo deverá seguir-se;



Quando ninguém souber coisa alguma, e você souber um pouquinho,

seja o primeiro a ensinar, começando por aprender você mesmo,

corrigindo-se a si mesmo;



Quando alguém estiver angustiado à procura, consulte bem o que se passa,

talvez seja em busca de você mesmo que este seu irmão esteja;



Daí, portanto, o seu deve ser o primeiro a aparecer, o primeiro a mostrar-se,

primeiro que pode ser o único e, mais sério ainda, talvez o último;



Quando a terra estiver seca, que sua mão seja a primeira a regá-la;

quando a flor se sufocar na urze e no espinho,

que sua mão seja a primeira a separar o joio, a arrancar a praga,

a afagar a pétala, a acariciar a flor;



Se a porta estiver fechada, de você venha a primeira chave;



Se o vento sopra frio, que o calor de sua lareira seja a primeira proteção

e primeiro abrigo.



Se o pão for apenas massa e não estiver cozido,

seja você o primeiro forno para transformá-lo em alimento.



Não atire a primeira pedra em quem erra.

De acusadores o mundo está cheio; nem, por outro lado, aplauda o erro;

dentro em pouco, a ovação será ensurdecedora;



Ofereça sua mão primeiro para levantar quem caiu;

sua atenção primeiro para aquele que foi esquecido;

Seja você o primeiro para aquele que não tem ninguém;



Quando tudo for espinho, atire a primeira flor;

seja o primeiro a mostrar que há caminho de volta,

compreendendo que o perdão regenera,

que a compreensão edifica, que o auxílio possibilita,

que o entendimento reconstrói.



Atire você, quando tudo for pedra,

a primeira e decisiva flor.



quinta-feira, 24 de março de 2011

Texto do dia

Que fala por si só... Enjoy!




Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.

Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.

Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.

Deles não quero resposta, quero meu avesso.

Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.

Para isso, só sendo louco.

Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.

Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.

Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.

Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.

Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.

Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos nem chatos.

Quero-os metade infância e outra metade velhice!

Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou.

Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.


Oscar Wilde